November 26, 2010

Sobrevivi - Parte 2: Paul McCartney

O clima atual do Ridjanêro não tá muito me animando a escrever sobre amenidades, mas eu preciso dar o devido crédito ao show mara do vovô-garoto Paul McCartney... além disso, o podcast #16 do Scream&Yell na Radio Levis me deu um empurrão, além das conversas com essa grande entusiasta do Macca que é a @cissarego (que aliás deu seu relato emocionado no blog-parceiro Discurso Ácido).
Fora isso, o fato de eu ter me envolvido TANTO com o show dos Smashing Pumpkins no Planeta Terra me desviou a atenção. Não é que tenha sido melhor/mais emocionante... eu não sei, talvez por ter percebido que sou fã dos SP há mais tempo que os Beatles (é, acredite... só fui me envolver a sério com os Beatles já adolescente, agradeça àquela quizumba de Michael Jackson, Yoko Ono, direitos etc). É que o show dos Pumpkins recebeu críticas, e eu acabei desenvolvendo um instinto muito louco de defendê-lo, o que me surpreendeu. Aliás, eu estou assustada. Desde o show eu só consigo ouvir Smashing Pumpkins (há 2 dias ouvindo o Zeitgeist no loop, aquele que é considerado um álbum ruim pela crítica - ué, eu achei o show deles BOM, que disse que eu tô ligando pra crítica?). Fora isso, eu vejo clipes e vídeos de shows e entrevistas toda hora, baixei o torrent do show, só falo no Billy Corgan, sonho com ele e o caramba. O fundo do poço foi ter entrado no ORKUT (!!!) pra participar ativamente da comunidade da banda lá. Sério, alguém me segure, alguém me contenha. Está preocupante. oO
É SÉRIO que há algum tempo eu pensei que, se fizesse uma tatuagem, faria só esse ADORE estilizado como na capa do álbum, exatamente como nessa foto que eu encontrei. Só não faço porque... bem... eu não faria uma tatuagem, me incomoda muito fazer uma coisa na pele que nunca mais vai sair.
Mas também é aquilo: o show do Paul McCartney não precisa de defesa. É perfeito, emocionante, divertido, de altíssima qualidade e bla bla que todo mundo sabe. Queria muito estar lá e até o véio confirmar a vinda, eu fiquei tensa com a oportunidade que se aproximava. Afinal, eu me prometi que faria de tudo pra ver três shows: Macca, U2 e David Bowie. O primeiro estava vindo, e estava vindo só pra São Paulo. Ok, fazer o quê? Lá vamos nós. E ele ainda me deu o inacreditável presente de marcar o show no fim de semana em que também rolaria o Planeta Terra - eu já tinha comprado o ingresso, iria viajar anyway, juntamos o útil ao agradabilíssimo e foi planejado o finde musical perfeito. Comprar o ingresso foi odisseia, mas depois que consegui, foi só alegria...
Como eu já iria no Planeta Terra, resolvi comprar o ingresso do Macca na cadeira coberta vermelha, pra poder me poupar de ficar horas na fila em pé. Acabou que foi realmente a solução perfeita. Eu pude sair mais tarde da casa do Marcos, quase 18h. Foi uma hora boa, porque já foi difícil encontrar táxi, um deles se recusou a me levar ao Morumbi. Mas, chegando lá, achei o meu portão fácil e sem filas. No caminho, fui parada por uma equipe e dei entrevista, dizendo que tava lá pra ver ele tocando My Love e Hey Jude, e que o meu Beatle favorito era o Ringo, mas que o Paul era um "fofo". Mas, enfim, eu disse SEM FILAS! Fui entrando, entrando, entrei! Sentei na segunda fileira de cadeiras, perto de uma família super simpática e de uma moça com um filho de uns 2 anos empolgados tocando guitarras infláveis. Falando francamente: era o setor família/terceira idade do Morumbi. Vários tios e tias, casais maduros, Lillian Witte Fibe, tava todo mundo lá sentadinho numa nice. Eu estava sentada numa nice por que a minha batata da perna esquerda estava as-san-do de dor. Realmente, foi bom ter escolhido ficar lá.
Horas de espera, mas o Macca é inglês e não atrasa. Pena ter ficado tão longe, aliás, até quem ficou na Pista Prime, dependendo do lugar, ficou longe. O espaço era praticamente metade do Morumbi! Paul era uma pessoa sem rosto de terno azul ao longe (Roberto Carlos feelings!), mas gigantesco no telão. Frisson, não dava pra acreditar que era ele ali! E toca de cantar músicas lindas que marcaram a história da música do UNIVERSO. Ele cantou Drive My Car, The Long And Winding Road (nó na garganta), My Love (o anúncio que era pra "gatinha Linda" é de matar), Something (homenagem ao George, e como bem falou Carol, amiga de Cissa & Pedro, com imagens no telão do George na vibe Jesus não dá pra segurar a emoção), Eleanor Rigby, Let 'Em In (surpresa! Eu não pensei que ia tocar! Feliz!), All My Lovin', And I lover Her, Yesterday (acústica e lindíssima), Band on The Run... A lua tava enorme de cheia, girando pelo palco, parecia efeito especial. Em Live and Let It Die, pirotecnias mil, com a lua bem atrás do palco. Os fogos de artifícios pareciam rockets to the moon. A vitalidade do vovô-garoto era invejável, tocava, fazia presepada, qualquer coisa que ele fazia no palco era motivo para gritos histéricos - incluindo os meus. E ele fez charme, as tias quase capotaram de emoção. Pensei que ia chorar à beça, mas a vibe era muito feliz, de gritar, pular e dançar por 3 horas direto.
Aliás, a vibe só não foi melhor ainda porque, no meio do show, apareceram na minha frente umas meninas e um cara, e pareciam estar num bar e não no show de um dos melhores performers do mundo. Copo de cerveja e cigarrinho pro alto, eles ficavam conversando toda hora, completamente fora do propósito. Eu comecei a me irritar muito com aquele falatório. Fui abstraindo, afinal, em Give Peace a Chance o estádio se encheu de balões brancos, o look era muito lindo. Paul se emocionou de verdade, não tinha como não amar estar ali naquele momento... Logo teve Hey Jude, e além da LOUCURA que era estar num show cantando essa música com O CARA que a escreveu e gravou, o que mais me marcou foi ter dado um esporro no tal grupinho: dois deles se empolgaram (pela primeira vez no show, deve ter sido uma das únicas músicas que eles de fato conheciam) e subiram nas cadeiras, ficando na minha frente e atrapalhando outras pessoas. Quem me conhece sabe que eu sou muuuito tranquila, mas naquela hora eu virei bicho. Encostei no cara, engrossei a voz e falei um "NÃO! SENTA AÍ" tão incisivo que ele desceu na hora. Pau na mesa, a gente vê por aqui...
Ele fez-que-foi-mas-não-foi duas vezes e apresentou um show de três horas que passaram como se fossem 15 minutos. O Morumbi inteiro ovacionou, ele tava tão feliz, pulando que nem uma gazela abanando duas bandeiras do Brasil. Por isso eu achei uma baita sacanagem dessa vida que ele tenha tropeçado naquela caixa de retorno e tomado um estabacão. Eu fiquei horrorizada! Tadinho, ele tá com tudo em cima mas já tem idade. Fiquei tão chocada de ter presenciado aquele estabaco FEIO ao vivo e em 2 telões gigantescos que não consegui parar de pensar nisso depois. Fiquei seriamente preocupada com a integridade física, mesmo ele tendo levantado rapidinho dando pulinhos (vovô-garoto total!).
Encontrei Pedro, Cissa, Carol e mais amigos deles no lado de fora. Cissa não conseguia falar. Eu só conseguia falar do tombo do pobre Macca. Perrengues pra conseguir um táxi eram esperados, mas grazaDeus conseguimos uma fançanha: achamos um taxista que cobrou a viagem pelo taxímetro. Perfeição é a palavra.
No dia seguinte, quem disse que eu consegui acordar pra pegar o voo? Ok, eu acabei chegando a tempo de pegar o voo, depois de correr MUITO... Mas falando a verdade, depois de um fim de semana eu provavelmente pensei que estava sonhando e não queria acordar...

3 comments:

Mariana said...

Ringo???? Por essa titia não esperava, hauahuahu!

O show foi MARÍSSIMO, até hoje não creio que estive lá!! Tb queria muito ouvir My Love e Hey Jude, mas chorei mesmo foi em Something

discursoacido said...

quando eu penso que foi mesmo verdade, que aconteceu MESMO aquilo tudo... sei não.. 2010 tá concorrendo seriamente pra ser o melhor ano da minha vida... e de fato.. eu nao conseguia falar!!! hehehehehehee

Lucio said...

falando em SP: veja aqui uma versao pra 1999, ou vc vai amar ou odiar.. rsrs http://soundcloud.com/cadereira/cadereira-vs-smashing-pumpkins-mil-novecientos-setenta-y-nueve
bjs

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