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July 5, 2013

Ben acústico

Encontrei três vídeos de uma mesma apresentação do Ben Gibbard (ele mesmo, vocalista do Death Cab For Cutie). A informação é que foram gravados em setembro de 2007, no Filmore Auditorium de Denver, Colorado, EUA. Para uma gravação de um show, até que imagem e som ficaram muito bons, facilita ter sido uma apresentação bem intimista. Ben e seu violão tocam 2 músicas do DCFC e uma do Rilo Kiley - e essa versão ficou maravilhosa. 

Como diz um dos comentários mais votados do YouTube: "It's a voice that can bring the manliest of men to tears".




Essas músicas, especialmente "Title and Registration", me levam pro passado como uma máquina do tempo. Eu vivia uma vida completamente diferente. Morava nos EUA, dirigia um carro, vivia em uma casa, tinha um cachorro, uma boa grana no banco, era um bocado solitária. Ouvindo a música eu me vejo no carro, colocando o cd que eu tinha gravado, vejo à frente a estrada em que estava e lembro das cores do céu do fim da tarde. Música tem dessas coisas.

June 29, 2012

Circo do Of Montreal

Das vantagens de ver um show low profile:

Ontem o Of Montreal aterrissou no Circo Voador (aterrissou do planeta doido de onde vieram), e eu os vi pela segunda vez. Já li por aí definições como "um aniversário de criança com ácido" e "Queen com crack". É uma festa estranha com gente esquisita (vi uma menina de topete, óculos de fundo de garrafa e costeletas. Eu disse costeletas). Mas ótima música. Of Montreal é ótimo, mesmo que a tecladista ainda veja os acordes das músicas num bloquinho. E a viagem, além de visual, com performers correndo o palco com máscara de animais ou peitos gigantes, é musical. Uma hora é rock 'n roll, outra pop queer, muda pra um groove estilo r&b, de repente fica prog, outra poperô redondinho. É tudo isso.
Isso de alternar tudo se estende ao líder da banda, Kevin Barnes, que veio dessa vez com um corte de cabelo "Adamastor Pitaco" style, longo e curto, feminino e masculino. Androginia glam que não é nova mais que funciona na figura desse cara. Apesar de rebolar a bundinha magra, passar a mão languidamente pelo corpo, exibir a barriga negativa e se insinuar em algumas músicas, Kevin faz a bicha tímida quando as luzes se acendem. Isso tudo sendo casado com uma mulher. Figura curiosa ele. E canta bem, segura a voz por quase todo o show, só diminuindo o ritmo durante o bis, mas daí o público pegou o lead vocal de assalto durante "Gronlandic Edit", momento fófis da noite.

E essa banda foda tocou no Rio por iniciativa do Queremos, que juntou a galera pra comprar cotas e garantir o show. Eu comprei uma dessas cotas. Quando é uma banda legal eu faço isso, é uma sensação boa ser mecenas das artes e "fazer a coisa acontecer". Por que enquanto um show desses é mais um em São Paulo que vai atrair muita gente (sem entrar em méritos de gostos e opções noturnas, vamos resumir por ora que rola porque "São Paulo simplesmente tem muita gente"), no Rio é um toda uma comoção "uau, essa banda aqui". E quem gostava comprou as cotas, e não muita gente apareceu além disso. Pena. Seria por conta de o show ser numa quinta? Ok, sei que é difícil pra acordar cedo. Mas num show legal, uma vez ou outra, por que não? De qualquer forma esperava mais gente, esperava reembolso total. Sempre acabo pensando que se EU conheço a banda, muita gente deve conhecer, porque eu não sou das hipsters abiloladas nas mais novas bandas da Moldávia. Logo o Of Montreal, que tem 16 anos de carreira e 11 álbuns. Seria então a falta de hype? Seria simplesmente a preguiça carioca? Pqp vcs são foda. 

Setlist de 28/06, Circo Voador:
Suffer for Fashion 
The Party's Crashing Us 
Forecast Fascist Future 
Coquet Coquette 
For Our Elegant Caste 
An Eluardian Instance 
Plastis Wafer 
St. Exquisite's Confessions 
Bunny Ain't No Kind of Rider 
Wraith Pinned to the Mist (and Other Games) 
Id Engager 
She's a Rejector 
The Past Is a Grotesque Animal 

Encore:
Gronlandic Edit 
A Sentence of Sorts in Kongsvinger 
Heimdalsgate Like a Promethean Curse 

Para conferir o que já escrevi sobre Of Montreal: aqui.

June 9, 2012

Canta, meu filho

Quem zoou o Wagner Moura deve achar isso o máximo. Só de sacanagem (porque é o Kevin Spacey, porque é o John Lennon, porque é internacional... essas coisas de complexo vira-lata). Na verdade ambas as apresentações de atores cantando, guardadas as devidas proporções, arrasaram - e no bom sentido! Embora menos que o Wagner (mas só temos uma música de amostragem, né?, Kevin Spacey também (x) não tinha o mesmo tom e (x) deu uma desafinada. Mas também (x) chutou bundas, (x) se emocionou, e (x) levou a galera à loucura.

"I want you to make love, not war, I know you've heard it before..."

December 11, 2011

Kings of The Plateia

Para quem estava curioso sobre o show do Kings of Convenience: O show foi que nem aquilo que você leu sobre o de São Paulo. SÓ QUE AO CONTRÁRIO ♥ ♥ ♥ ♥ ♥
E pensar que eu fiquei com medo do show ser uma bomba, depois de ter lido a matéria da Folha... Mas foi incrivelmente diferente. Vezes q eles mandaram a gente calar a boca: ZERO. Vezes q eles pediram pra gente bater palma e cantar junto: perdi a conta.
Realmente deve ter sido graças à boa e velha kayperenea no camarim... Erlend tava malucaço-beleza, dançando, fazendo caretas e mímicas dignas de um clown. Se todo mundo reclamou que em SP faltou pegada e carisma pra conquistar o público, no Circo Voador eles aprenderam direitinho. Foi um dos shows mais bem-humorados, fofos e singelos que já vi. Os caras não têm medo de barulho, de palmas, plateia cantando junto... teve tudo isso. Realmente deve ter sido uma questão de papo paralelo abusivo em SP, como me escreveu no Twitter um cara que esteve no show do Cine Joia.
Ontem rolou de a galera meio q patrulhar os conversadores com "shhhhhhs", mas nada demasiado que criasse um climão. E a banda não se manifestou em nenhum momento sobre o barulho. Estavam com sorrisão no rosto. Erlend dançando louco e pedindo arranjos e palmas do público. Ele está com os cabelos mais longos, e aqueles óculos de vovó dão um look de cientista louco ao cara. Eirik, ainda mais bonito ao vivo, com voz linda, português fofíssimo cantando "Corcovado". O entrosamento entre eles é gostoso de se ver, só os dois com seus violões, criando melodias e climas maravilhosos. Coisa que Eirik disse ter aprendido com Bossa Nova e João Gilberto, essa coisa impressionante de poder arranjar completamente as melodias só com um violão (isso e o tal apreço pelo silêncio entre as canções, sorte que ontem o espírito de João Gilberto estava mais longe).
(Sem dúvida o melhor momento da noite, ainda mais quando o Erlend chega)
E talvez eles tenham lido as matérias e decidiram fazer tudo diferente no show do Rio. Pode ser... ou foi como outra amiga falou: a plateia do Rio faz toda uma diferença (não querendo ser bairrista mas já sendo uhuhuhu). Seja como for, banda e plateia carioca saíram satisfeitas =)

May 23, 2011

Pós-Macca

Foi maneiríssimo… Mas tô cansada de pagar um ingresso caro pra ser amassada e ficar horas em pé, olha que eu nem cheguei de madrugada como alguns amigos loucos, mas quando os portões abriram… Eu sei que pra um show dessa grandeza é isso mesmo. Talvez seja a minha velhice, depois de uma semana cansativa de trabalho, ficar 7 horas em pé não é bolinho.
Pra chegar, Bonsa + busão até o Norte Shopping e caminhadinha. Sem gastos com táxi, chuchu beleza. Na volta... Não sei de quem pegou o trem + metrô, mas os ônibus integração rolaram q é uma beleza, em meia hora estava em casa, fui sentada, paguei R$ 2,80, IMPENSÁVEL fazer isso em São Paulo. Lá não teve esquema especial, tem que andar muito pra sair do entorno do Morumbi, táxi extorquindo (deve ter tido aqui também, mas ao menos tinhamos outras opções), engarrafamento...
Minha conclusão? Macca tá mais em forma do que eu. Faz um show impecável, tem a plateia na mão, pula, toca, canta… e dessa vez nem se estabacou!! Vivas!!! xD


May 3, 2011

Low, low, low

Já que o Flo Rida vai fazer show aqui no Rio de Janeiro, e o U2 esteve no Brasil mês passado, eis um dos meus mashups favoritos (sério!): New Year's Low.

April 21, 2011

U2 aos 2 minutos de acréscimo do 2° tempo

Agora que a poeira baixou, e a Garra já tirou as unhas do chão do Morumbi, não sei se devo ficar aqui defendendo uma banda que, em 30 anos de carreira, sempre levou pedra aqui e acolá mas arrasta 90 mil por cada um dos três dias de show. As pedradas são por serem mainstream demais? Por terem "acabado mas não morrido"? Pelo ativismo, demagogia e suposto "bom-mocismo"? Megalomania? Tudo junto...
Vamos por essas partes:
É estranho. Seria coisa de hoje em dia? Essa pressa em enterrar o que já tem durado tempo demais (quem julga isso?), já que tudo vira last week sem que precise realmente passar uma semana para isso. Temos celebridades de uma temporada, grandes bandas de rock de um disco, um milhão de nichos e seus ídolos. Mas dessa todo mundo gosta, toca no rádio, tem aquelas músicas grudentas que agradam do patrão à empregada, faz show de arena, é popular. E os inteligentes querendo afirmar que a unanimidade é burra, e que é preciso ser crítico: algo que agrade à tantos só pode ser ralo, baixo, pouco elaborado. Não importa se a guitarra do The Edge arrepie a espinha, ou se suas músicas fazem todo mundo -- eu disse TODO MUNDO -- cantar. Não importa, é preciso criticar. E essa é uma pulsão meio zarolha.
Meu Twitter está cheio de ~fãs incondicionais~ do Muse (a banda de abertura do U2), mas no show, quase ninguém no estádio cantava mais de uma música. Alegam que os melhores álbuns do U2 tem 20 anos, e nunca vão fazer outra Pride ou I Will Follow. Claro, assim como os Stones nunca vão fazer outra Satisfaction, nem Paul McCartney vai fazer outra Yesterday. Mas eles continuam aí fazendo música e shows, e não sou eu quem vai ordenar que eles parem ou se moldem do jeito que eu quero. Até porque, adivinhe só, tem gente que pode gostar da nova produção. Assim como tem gente que gosta do Muse (eu não sei como... é chaaaaato, mas tudo bem).
E daí as pessoas pensam que podem comparar bandas novas e experientes como se tudo fosse anacrônico, como se não houvesse carreira ou caminho a ser pavimentado, como se não exercessem influências em ninguém mais. As coisas são muito divididinhas em nichos, o "melhor" surge toda semana, mas eu ouço o som das melhores-bandas-dos-últimos-tempos-da-última-semana e tudo soa direitinho, tudo no lugar certo, mas tem som e efeito tão duradouro quanto o gás de uma Coca-Cola.
E agora a banda, principalmente pelos esforços humanitários, para muitos questionáveis, do Bono Vox, é coxinha. Aquele ídolo #classemediasofre babacão que acha que vai mudar o mundo e faz música para as massas #classemediasofre babaconas que acham que aquilo é rock e atitude, essa banda que não faz nada de bom há 20 anos...
Canibalismo
Eu gosto do U2 como um todo. Do tempo em que o Bono tinha mullet e rebolava querendo ser post-glam. E incluíam questões filosíficas, religiosas e políticas nas canções. E sempre foram canções bonitas, profundas. E pra mim, eles continuam assim. Não é uma Pride ou uma I Will Follow, mas eu gosto. Acho engraçado quando veem o Bono como esse ativista coxinha e chato. Pra mim ele é o cantor da banda U2, primeiramente. O discurso faz parte do show, e eu entendo como e porque faz parte. Bono é da "Escola John Lennon de Ativismo". Entenda: John Lennon, já no final da sua carreira com os Beatles e já com a Yoko, começou a protestar contra a guerra do Vietnã. Não lembro em qual documentário eu vi o próprio falando disso, a um repórter ácido durante um de seus bed-ins pela paz (ele e Yoko ficavam na cama o dia inteiro, a casa aberta a repórteres etc etc)... O repórter perguntou algo na linha de "que porra é essa?". Lennon respondeu algo na linha de "os governos usam da sua influência política e espaço na mídia para legitimar e justificar uma atitude como a de mandar soldados para se meter no Vietnã. Eu tenho um pouco de influência e espaço na mídia. Não sou o governo, mas sou famoso. E eu quero usar o espaço que eu tenho pra protestar contra o governo com as mesmas armas que eles usam". Ingênuo? Babaca? Inútil? Eu sinceramente não consigo por uma categoria nisso. Não sei nem dizer se o rock'n'roll "não é pra isso". O rock é livre pra falar de sexo, drogas, rebeldia e aquilo que nos aflige. Bono quer falar sobre as ruas que não tem nome na África, umas iguais as outras, povoadas de gente que ainda quer ter esperança. Deal with it que é isso aí.
Sobre o show em si, nunca tinha tido uma experiência audiovisual tão completa. A estrutura do palco é fabulosa, e o telão é das coisas mais lindas que eu já vi. Pra quem curte audiovisual é um orgasmo de 2h40. Aqui faço minhas as palavras que a jornalista Renata D'Elia, amizade de show divertidíssima, escreveu em seu blog (recomendo a leitura do texto todo): "Está na hora de assumir que investir na visibilidade do público é também um sinal de respeito e competência para além da aparente megalomania. Mas aí vem gente dizer que a música se foi para dar lugar ao circo. É aí que começa o festival de recalques. Pois trate de anotar que um dos méritos da banda, aos 30 e tantos anos de carreira, é justamente usar a tecnologia para proporcionar ao público uma experiência única, onde a música reina e comanda uma viagem sensorial." 
É embasbacante. Essas fotos são do amg Pedro Newlands, que foi no show de 13/04 (mais fotos aqui, são melhores que as minhas, que já postei).
O telão é assim...
... e em dado momento ele fica ASSIM. /morri.
E aí, a música? Fui no sábado, repertório de hits pra ninguém por defeito. Bono tem um carisma inegável, The Edge solou na minha frente, a poucos metros. Eu ouvi as músicas que amo e sempre amei, executadas perfeitamente ao vivo. Magnificent.

April 11, 2011

Como ir de hipster a coxinha em um fim de semana

Na falta de (tempo e) palavras, eis as fotos.
Carioca empolgada? Oh céus rsss
O nacional 
A GARRA! Meu Deus, o palco é aqui mesmo?
Amizade de show ♥
Esse é o Muse, e o Bellamy está usando uma calça skinny rosa do Pê Lanza.
What time is it in the world? SHOWTIME.
Very BONO
Miss Sarajevo  ♥
Na passarela que passou perto...
E o telão,que já era audiovisualmente orgásmatico, ainda EXPANDE!
Whoaaaa...
Isso tem que ser eleito uma das 7 maravilhas do mundo moderno =)
Vertigem *.*
The real thing is even better =)

Pré-show

Alerta de pérola: Bowie, 1969. Novinho!
Eu e 89 mil pessoas ouvimos no Morumbi, é o som que anuncia o começo do show do U2. Eles sobem a rampa com esse som, deixando o público na melhor vibe possível. Antes, nas horas de espera, tocou o Brothers do Black Keys e o álbum do Broken Bells. Maravilha, maravilha... mais detalhes adiante.

February 9, 2011

Na Caverna

Há 50 anos, os Beatles tocavam no Carven Club pela primeira vez. Mais de 200 apresentações depois e muita história pra contar, o Cavern continua lá. Ok, não é o mesmo Carven, ele foi demolido e reconstruído quase que no mesmo lugar, com muitas dos seus tijolos originais. É o grande charme da Mathew Street, rua de Liverpool cercada de clubes e pubs.
A facilidade que é entrar no Carvern Club impressiona. Numa quinta qualquer, dia em que a banda cover dos Beatles residente, os Mersey Beatles, toca lá, não havia filas. A entrada custou £2,50. A pista é no subterrâneo ("caverna" mesmo), e até descer todos os vários lances de escada ainda não dava pra acreditar que foi tão fácil entrar naquele lugar.
Hoje o Carvern se tornou um espaço para várias bandas covers de rock, mas parece mesmo ser um grande monumento aos Beatles. Entre turistas e locais (sim, eles vão lá) e cidra, a banda toca, todos dançam e cantam todas as músicas da banda querida por quase todo mundo.
O final de "With A Little Help From My Friends".

"When I'm 64".

E ao fim do show e da cidra, encaramos a madrugada e voltamos pra casa com a companhia das gaivotas... 
Mathew St.

November 27, 2010

Melhores vibes pré-shows

Antes dos Smashing Pumpkins:

Antes do Paul McCartney:

November 26, 2010

Sobrevivi - Parte 2: Paul McCartney

O clima atual do Ridjanêro não tá muito me animando a escrever sobre amenidades, mas eu preciso dar o devido crédito ao show mara do vovô-garoto Paul McCartney... além disso, o podcast #16 do Scream&Yell na Radio Levis me deu um empurrão, além das conversas com essa grande entusiasta do Macca que é a @cissarego (que aliás deu seu relato emocionado no blog-parceiro Discurso Ácido).
Fora isso, o fato de eu ter me envolvido TANTO com o show dos Smashing Pumpkins no Planeta Terra me desviou a atenção. Não é que tenha sido melhor/mais emocionante... eu não sei, talvez por ter percebido que sou fã dos SP há mais tempo que os Beatles (é, acredite... só fui me envolver a sério com os Beatles já adolescente, agradeça àquela quizumba de Michael Jackson, Yoko Ono, direitos etc). É que o show dos Pumpkins recebeu críticas, e eu acabei desenvolvendo um instinto muito louco de defendê-lo, o que me surpreendeu. Aliás, eu estou assustada. Desde o show eu só consigo ouvir Smashing Pumpkins (há 2 dias ouvindo o Zeitgeist no loop, aquele que é considerado um álbum ruim pela crítica - ué, eu achei o show deles BOM, que disse que eu tô ligando pra crítica?). Fora isso, eu vejo clipes e vídeos de shows e entrevistas toda hora, baixei o torrent do show, só falo no Billy Corgan, sonho com ele e o caramba. O fundo do poço foi ter entrado no ORKUT (!!!) pra participar ativamente da comunidade da banda lá. Sério, alguém me segure, alguém me contenha. Está preocupante. oO
É SÉRIO que há algum tempo eu pensei que, se fizesse uma tatuagem, faria só esse ADORE estilizado como na capa do álbum, exatamente como nessa foto que eu encontrei. Só não faço porque... bem... eu não faria uma tatuagem, me incomoda muito fazer uma coisa na pele que nunca mais vai sair.
Mas também é aquilo: o show do Paul McCartney não precisa de defesa. É perfeito, emocionante, divertido, de altíssima qualidade e bla bla que todo mundo sabe. Queria muito estar lá e até o véio confirmar a vinda, eu fiquei tensa com a oportunidade que se aproximava. Afinal, eu me prometi que faria de tudo pra ver três shows: Macca, U2 e David Bowie. O primeiro estava vindo, e estava vindo só pra São Paulo. Ok, fazer o quê? Lá vamos nós. E ele ainda me deu o inacreditável presente de marcar o show no fim de semana em que também rolaria o Planeta Terra - eu já tinha comprado o ingresso, iria viajar anyway, juntamos o útil ao agradabilíssimo e foi planejado o finde musical perfeito. Comprar o ingresso foi odisseia, mas depois que consegui, foi só alegria...
Como eu já iria no Planeta Terra, resolvi comprar o ingresso do Macca na cadeira coberta vermelha, pra poder me poupar de ficar horas na fila em pé. Acabou que foi realmente a solução perfeita. Eu pude sair mais tarde da casa do Marcos, quase 18h. Foi uma hora boa, porque já foi difícil encontrar táxi, um deles se recusou a me levar ao Morumbi. Mas, chegando lá, achei o meu portão fácil e sem filas. No caminho, fui parada por uma equipe e dei entrevista, dizendo que tava lá pra ver ele tocando My Love e Hey Jude, e que o meu Beatle favorito era o Ringo, mas que o Paul era um "fofo". Mas, enfim, eu disse SEM FILAS! Fui entrando, entrando, entrei! Sentei na segunda fileira de cadeiras, perto de uma família super simpática e de uma moça com um filho de uns 2 anos empolgados tocando guitarras infláveis. Falando francamente: era o setor família/terceira idade do Morumbi. Vários tios e tias, casais maduros, Lillian Witte Fibe, tava todo mundo lá sentadinho numa nice. Eu estava sentada numa nice por que a minha batata da perna esquerda estava as-san-do de dor. Realmente, foi bom ter escolhido ficar lá.
Horas de espera, mas o Macca é inglês e não atrasa. Pena ter ficado tão longe, aliás, até quem ficou na Pista Prime, dependendo do lugar, ficou longe. O espaço era praticamente metade do Morumbi! Paul era uma pessoa sem rosto de terno azul ao longe (Roberto Carlos feelings!), mas gigantesco no telão. Frisson, não dava pra acreditar que era ele ali! E toca de cantar músicas lindas que marcaram a história da música do UNIVERSO. Ele cantou Drive My Car, The Long And Winding Road (nó na garganta), My Love (o anúncio que era pra "gatinha Linda" é de matar), Something (homenagem ao George, e como bem falou Carol, amiga de Cissa & Pedro, com imagens no telão do George na vibe Jesus não dá pra segurar a emoção), Eleanor Rigby, Let 'Em In (surpresa! Eu não pensei que ia tocar! Feliz!), All My Lovin', And I lover Her, Yesterday (acústica e lindíssima), Band on The Run... A lua tava enorme de cheia, girando pelo palco, parecia efeito especial. Em Live and Let It Die, pirotecnias mil, com a lua bem atrás do palco. Os fogos de artifícios pareciam rockets to the moon. A vitalidade do vovô-garoto era invejável, tocava, fazia presepada, qualquer coisa que ele fazia no palco era motivo para gritos histéricos - incluindo os meus. E ele fez charme, as tias quase capotaram de emoção. Pensei que ia chorar à beça, mas a vibe era muito feliz, de gritar, pular e dançar por 3 horas direto.
Aliás, a vibe só não foi melhor ainda porque, no meio do show, apareceram na minha frente umas meninas e um cara, e pareciam estar num bar e não no show de um dos melhores performers do mundo. Copo de cerveja e cigarrinho pro alto, eles ficavam conversando toda hora, completamente fora do propósito. Eu comecei a me irritar muito com aquele falatório. Fui abstraindo, afinal, em Give Peace a Chance o estádio se encheu de balões brancos, o look era muito lindo. Paul se emocionou de verdade, não tinha como não amar estar ali naquele momento... Logo teve Hey Jude, e além da LOUCURA que era estar num show cantando essa música com O CARA que a escreveu e gravou, o que mais me marcou foi ter dado um esporro no tal grupinho: dois deles se empolgaram (pela primeira vez no show, deve ter sido uma das únicas músicas que eles de fato conheciam) e subiram nas cadeiras, ficando na minha frente e atrapalhando outras pessoas. Quem me conhece sabe que eu sou muuuito tranquila, mas naquela hora eu virei bicho. Encostei no cara, engrossei a voz e falei um "NÃO! SENTA AÍ" tão incisivo que ele desceu na hora. Pau na mesa, a gente vê por aqui...
Ele fez-que-foi-mas-não-foi duas vezes e apresentou um show de três horas que passaram como se fossem 15 minutos. O Morumbi inteiro ovacionou, ele tava tão feliz, pulando que nem uma gazela abanando duas bandeiras do Brasil. Por isso eu achei uma baita sacanagem dessa vida que ele tenha tropeçado naquela caixa de retorno e tomado um estabacão. Eu fiquei horrorizada! Tadinho, ele tá com tudo em cima mas já tem idade. Fiquei tão chocada de ter presenciado aquele estabaco FEIO ao vivo e em 2 telões gigantescos que não consegui parar de pensar nisso depois. Fiquei seriamente preocupada com a integridade física, mesmo ele tendo levantado rapidinho dando pulinhos (vovô-garoto total!).
Encontrei Pedro, Cissa, Carol e mais amigos deles no lado de fora. Cissa não conseguia falar. Eu só conseguia falar do tombo do pobre Macca. Perrengues pra conseguir um táxi eram esperados, mas grazaDeus conseguimos uma fançanha: achamos um taxista que cobrou a viagem pelo taxímetro. Perfeição é a palavra.
No dia seguinte, quem disse que eu consegui acordar pra pegar o voo? Ok, eu acabei chegando a tempo de pegar o voo, depois de correr MUITO... Mas falando a verdade, depois de um fim de semana eu provavelmente pensei que estava sonhando e não queria acordar...

November 24, 2010

Sobrevivi - Parte 1: Planeta Terra

Sim, cá estou eu de volta de um fim de semana que vai ser difícil de repetir nessa vida nos quesitos frisson, emoção, estonteamento, acachapância, diversão e... custo!
O maior destaque foi tudo ter dado certo no fim. As aloprações programadas foram bem-sucedidas em suas execuções, apesar de alguns pesares: o mp3 player perdido, uma dor de cabeça estranha no sábado e os espirros no domingo, e o fato de eu simplesmente não ter conseguido acordar na hora certa segunda e quase ter perdido meu voo de volta. Os reveses já listados, vamos ao EPIC WIN que foi esse fim de semana passado.
Antes de entrar em detalhes, preciso destacar que o LINDO mais LINDO de todos os LINDOS (Kevin, Billy e Paul) que eu vi esse finde foi  meu amigo Marcos, aquele LINDO. Sim, porque pra ter aturado uma hóspede chegando de madrugada e completamente perdida naquela cidade era preciso ter paciência que só ele mesmo. A saudade é sempre grande e o carinho que eu tenho por ele só aumenta.
Uma pena eu não ter aproveitado mais São Paulo. A coisa mais paulista que eu fiz foi ter comido pastel na feira e cachorro-quente com purê de batata. Qualquer dia eu volto, se o Marcos aceitar em me receber novamente.
Bom, primeiro evento era o Planeta Terra, pra ver o of Montreal e os Smashing Pumpkins. Cheguei pouco antes do of Montreal na nice e consegui ver o show bem de perto. Uma pena os caras não serem tão conhecidos. O show deles é animado e teatral, merecia muito mais destaque no festival. Trocaria ele pelo Mika fácil, que também é animado e teatral mas a música não é tão boa. O show deles é uma delicinha, o repertório ótimo, com músicas no novo CD. E o orgulho de ter cantado Our Riotous Defects inteirinha? Momento de delírio quando ele gritou “CRAAAAAAAAAAAAZY GIRL”. Casado e pai de família, Kevin Barnes é uma gracinha e uma MOCINHA. Entrou direto pra lista de Homens Mais Moça do Que Eu. Fui me infiltrando mais pro meio e perto do palco, à procura de uma galera animada pra não ficar dançando sozinha no meio de um monte de gente paradona, achei umas guey animadérrimas, todas elas se derretendo muito pelo Kevin e soltando pérolas, plumas e purpurinas como:
- Noffa, mas ele dança muito fofo...
- Ay, ele é pra casar!
- Zenty, olha a mala dele!
- (E a vencedora) KEVIN!!! KE-VIN NI MIM???
Shoray... Aliás, você pode ver o show do of Montreal aqui.
of Montreal no Planeta Terra: Kevin Barnes, sua LINDA! (divulgação)
No show deles a lua começava a aparecer monstra. Ia ser uma noite muito linda.
No quesito organização o evento tá de parabéns. Apesar da alta concentração de camisas xadrez e óculos de vovó por metro cúbico, a galera era tranks. As projeções... ops, desculpa! O videomapping no main stage era maneiríssimo. Mas o melhor era poder circular entre os ambientes e pegar sempre um lugar legal pra ver os shows porque sempre rolava uma rotação da galera entre cada atração.
O chão da área reservada aos banheiros químicos era coberta de ramos de pinheiro pra neutralizar o cheiro, vibe floresta, uma ideia interessante.
Encontrei os queridos Victor, Bernardo e sua namorada Manoela. Antes do Mika, fui comer e acabei perdendo o começo do show (não, não fiquei triste por isso). Acabou nem dando tempo de ir em nenhum brinquedo, mas também não planejava isso. Vi a metade do show final do Mika – Grace Kelly e Love Today eu curto e dancei feliz me infiltrando no meio da galera – e encontrei o pessoal de novo pra ver o Phoenix.
Phoenix... aquela BELA MERDA. Começou com Lisztomania, OK, a mais legal deles de cara pra depois me fazer quase dormir um sono profundo no meio da plateia. Ô chatice. E o Daft Punk que não apareceu pra salvar aquilo? E o que foi o vocalista deitado uns 15 minutos no palco. O francês blasè leite-com-pêra ficou com sono também, né? Pudera... é chato demais. Sem graça, sem ânimo, dejà-ouvi, repetitivo. Depois ficou numa presepada de fazer mosh e rolar pela plateia. Olha, se o seu show será pra sempre lembrado pelo mosh, é porque algo estava bem errado com a... música.
Já fomos nos infiltrando na frente pra ver o Pavement já pensando nos Smashing Pumpkins. É uma pena eu não conhecer muito o Pavement, porque o show foi bem legal. Fãs cantando, som ótimo, os músicos empolgados. Mas eu já estava com ansiedade acumulada pro próximo show. Ver Billy Corgan e cantar com ele muitas das minhas músicas favoritas dessa minha vida. Eu já conhecia o setlist que eles vinham tocando nos shows recentes e já sabia exatamente o que esperar, o set realmente incluia a maioria das músicas que eu amo, além das novas que eu curto de verdade.
Fui chegando pra frente e não ACREDITEI quando eu vi no palco há uns poucos metros de mim aquele careca, carinhosamente apelidado de Tio Chico por um carinha que gritava isso toda vez que eles acabavam uma música. Era o Billy Corgan. Ali. Eu não acreditei até sair do show que isso tinha acontecido...
E com ele, aqueles cosplays de D’Arcy e James Iha e uma criança que aparentava uns 12 anos na bateria. A banda é pura trollagem do Billy.
Smashing Pumpkins no Planeta Terra
Após o show foi divulgado o "consenso" de que o show foi um fiasco. Eu não conseguia acreditar, tínhamos visto o mesmo show? O que havia de errado? Recolhendo algumas opiniões, percebi algumas questões, a saber:
- Pessoal parece que não conhece o Billy Corgan. O cara não toca muitas músicas antigas em todo show que faz, e eu não sei porque o pessoal esperava outra coisa. Em várias entrevistas ele deixa claro que não vive do passado. Especula-se que foi por isso que o Jimmy Chamberlin, baterista e último integrante original da banda além do Billy saiu ano passado. Billy sempre quis se dedicar a coisas novas, e achava que quem acompanha a banda saberia disso. Os setlists recentes deles tavam na internet pra todo mundo ver.
- Aí pessoal chama de datado, egocêntrico, sem simancol por ainda estar fazendo coisas novas consideradas fracas, não se aposentar logo e não fazer turnê só de hits. O Pavement não lança nada de novo há 11 anos, fez um show safo e foi comemorado por isso. Eu só não entendo o porquê. Se Billy viesse tocando as coisas velhas, ia ter gente pra acusar de caça-níqueis ou coisas do gênero. Acho injusto criticar o artista por ele estar tentando caminhar pra frente, como se isso fosse errado.
- Mas então pessoal diz que não há espaço pra esse tipo de som mais, como que jogando já a terra pro enterro, o que eu, honestamente, considero duma petulância terrível por parte dessa galera. Pena de quem pauta o gosto musical pelo hype...
- E o pessoal reclama que eles deveriam ter servido aos fãs, que estavam lá pra escutar aquelas músicas que tanto nos marcaram, blá blá. E a verdade foi a seguinte: o show não foi pro fã que foi lá usando a camisa ZERO e que parou no Siamese Dream ou no Mellon Collie. E infelizmente, eles era a maioria ali. Malz aê, galera. Não adianta o saudosismo do tempo em que o Billy tinha cabelo. Se você quer um show de 15 anos atrás, recomendo encontrar uma máquina do tempo e se transportar. Esse show foi para o tipo de fã como eu, que gosto do começo, do meio e das últimas coisas da banda. Reclamaram do set? O set teve músicas representando as fases da banda, com um pouco mais de foco nas coisas recentes (Zeitgeist) e novas (Teagarden by Kaleidyscope). E diante disso, eu saí extremamente satisfeita. Eu vi o show com o coração e disposta a me divertir.
- Então pessoal reclamou das presepadas. Ok, o cara do Phoenix passa meia hora deitado no palco e isso é COOL, mas o Billy tocando guitarra com a boca e esfregando-a na quina do palco até arrebentar as cordas é RUIM. Sério, cut the #mimimi, please.
Smashing Pumpkins no Planeta Terra: a foto é ruim mas é minha.
Eu achei sensacional. Eu estava diante de uma das minhas bandas favoritas, que eu curto há (só) 15 anos. E eu curto até hoje. Eu acompanho os lançamentos do Teagarden by Kaleidyscope. Aliás, alguns dos momentos mais emocionantes do show pra mim foi quando eles tocaram as novas A Song For A Son e Spangled. Pra mim, essas músicas chegaram agora e já sentaram na janela. E Astral Planes foi fantástica ao vivo.
Presepada? Morri de rir com aquela criança nervosinha no solo de bateria. É muita trollagem aquilo, o Billy deve se divertir, e eu me divirto junto, porque entendo aquela loucura lá. Rolou muito uma vibe “orgulho do papai” ali. E o pessoal gritando “Vai, Daniel-San”! Billy é dessas coisas... Depois da saída do Chamberlin, que por anos ficou num vai-num-vai, ele bota um moleque de 20 anos totalmente desconhecido só de zoa.
E além disso, teve as favoritonas Today (emocionei), Cherub Rock (chapei), Shame (desmaiei), Ava Adore (em uma versão mais hard e estranha, morri muito), Stand Inside Your Love (morri MAIS) e Tonight, Tonight (ressuscitei e morri de novo umas 5 vezes). Faltou um monte de outras? Sim, mas nem quero reclamar. É assim mesmo. Em as que eles tocaram, eu cantei, pulei, gritei, chamei o Billy de SEU LINDO como se ele realmente fosse. Duas palavras: BILLY. SORRIU. E ainda mandou beijinho, ainda que discreto, pra plateia. Isso é um êxito completo!
Ri litros com a menina do meu lado que o chamava de “mais-ou-menos-lindo” e “lindo-por-dentro”. Que nada, pra mim ele é LINDO fo real. E os comentários de paulista acachapado à minha volta? “Carai, véi!”, “nossa, véi!” É, demorou pra acreditar. Vimos os Smashing Pumpkins. Saí de lá ainda sem acreditar, cheguei em casa eletrificada, fui dormir pra ter sonhos de groupie* com o Billy Corgan. Aquele careca LINDO.
Carai, véi. Foi fantástico!
Você pode ver o show dos Smashing Pumpkins por você mesmo aqui.
E isso só foi o sábado...

*Quando voltei do Playcenter, dividi o taxi com Bernardo, Manoela e uma conhecida dela, que eu não sei o nome. Ela também curtia a banda e falei de monte que tinha AMADO ver o Billy Corgan em ação enfim. Quando saltei do táxi e me despedi, ela disse: "Sonha com o careca!" E não é que eu sonhei? ;-P