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June 29, 2012

Circo do Of Montreal

Das vantagens de ver um show low profile:

Ontem o Of Montreal aterrissou no Circo Voador (aterrissou do planeta doido de onde vieram), e eu os vi pela segunda vez. Já li por aí definições como "um aniversário de criança com ácido" e "Queen com crack". É uma festa estranha com gente esquisita (vi uma menina de topete, óculos de fundo de garrafa e costeletas. Eu disse costeletas). Mas ótima música. Of Montreal é ótimo, mesmo que a tecladista ainda veja os acordes das músicas num bloquinho. E a viagem, além de visual, com performers correndo o palco com máscara de animais ou peitos gigantes, é musical. Uma hora é rock 'n roll, outra pop queer, muda pra um groove estilo r&b, de repente fica prog, outra poperô redondinho. É tudo isso.
Isso de alternar tudo se estende ao líder da banda, Kevin Barnes, que veio dessa vez com um corte de cabelo "Adamastor Pitaco" style, longo e curto, feminino e masculino. Androginia glam que não é nova mais que funciona na figura desse cara. Apesar de rebolar a bundinha magra, passar a mão languidamente pelo corpo, exibir a barriga negativa e se insinuar em algumas músicas, Kevin faz a bicha tímida quando as luzes se acendem. Isso tudo sendo casado com uma mulher. Figura curiosa ele. E canta bem, segura a voz por quase todo o show, só diminuindo o ritmo durante o bis, mas daí o público pegou o lead vocal de assalto durante "Gronlandic Edit", momento fófis da noite.

E essa banda foda tocou no Rio por iniciativa do Queremos, que juntou a galera pra comprar cotas e garantir o show. Eu comprei uma dessas cotas. Quando é uma banda legal eu faço isso, é uma sensação boa ser mecenas das artes e "fazer a coisa acontecer". Por que enquanto um show desses é mais um em São Paulo que vai atrair muita gente (sem entrar em méritos de gostos e opções noturnas, vamos resumir por ora que rola porque "São Paulo simplesmente tem muita gente"), no Rio é um toda uma comoção "uau, essa banda aqui". E quem gostava comprou as cotas, e não muita gente apareceu além disso. Pena. Seria por conta de o show ser numa quinta? Ok, sei que é difícil pra acordar cedo. Mas num show legal, uma vez ou outra, por que não? De qualquer forma esperava mais gente, esperava reembolso total. Sempre acabo pensando que se EU conheço a banda, muita gente deve conhecer, porque eu não sou das hipsters abiloladas nas mais novas bandas da Moldávia. Logo o Of Montreal, que tem 16 anos de carreira e 11 álbuns. Seria então a falta de hype? Seria simplesmente a preguiça carioca? Pqp vcs são foda. 

Setlist de 28/06, Circo Voador:
Suffer for Fashion 
The Party's Crashing Us 
Forecast Fascist Future 
Coquet Coquette 
For Our Elegant Caste 
An Eluardian Instance 
Plastis Wafer 
St. Exquisite's Confessions 
Bunny Ain't No Kind of Rider 
Wraith Pinned to the Mist (and Other Games) 
Id Engager 
She's a Rejector 
The Past Is a Grotesque Animal 

Encore:
Gronlandic Edit 
A Sentence of Sorts in Kongsvinger 
Heimdalsgate Like a Promethean Curse 

Para conferir o que já escrevi sobre Of Montreal: aqui.

December 11, 2011

Kings of The Plateia

Para quem estava curioso sobre o show do Kings of Convenience: O show foi que nem aquilo que você leu sobre o de São Paulo. SÓ QUE AO CONTRÁRIO ♥ ♥ ♥ ♥ ♥
E pensar que eu fiquei com medo do show ser uma bomba, depois de ter lido a matéria da Folha... Mas foi incrivelmente diferente. Vezes q eles mandaram a gente calar a boca: ZERO. Vezes q eles pediram pra gente bater palma e cantar junto: perdi a conta.
Realmente deve ter sido graças à boa e velha kayperenea no camarim... Erlend tava malucaço-beleza, dançando, fazendo caretas e mímicas dignas de um clown. Se todo mundo reclamou que em SP faltou pegada e carisma pra conquistar o público, no Circo Voador eles aprenderam direitinho. Foi um dos shows mais bem-humorados, fofos e singelos que já vi. Os caras não têm medo de barulho, de palmas, plateia cantando junto... teve tudo isso. Realmente deve ter sido uma questão de papo paralelo abusivo em SP, como me escreveu no Twitter um cara que esteve no show do Cine Joia.
Ontem rolou de a galera meio q patrulhar os conversadores com "shhhhhhs", mas nada demasiado que criasse um climão. E a banda não se manifestou em nenhum momento sobre o barulho. Estavam com sorrisão no rosto. Erlend dançando louco e pedindo arranjos e palmas do público. Ele está com os cabelos mais longos, e aqueles óculos de vovó dão um look de cientista louco ao cara. Eirik, ainda mais bonito ao vivo, com voz linda, português fofíssimo cantando "Corcovado". O entrosamento entre eles é gostoso de se ver, só os dois com seus violões, criando melodias e climas maravilhosos. Coisa que Eirik disse ter aprendido com Bossa Nova e João Gilberto, essa coisa impressionante de poder arranjar completamente as melodias só com um violão (isso e o tal apreço pelo silêncio entre as canções, sorte que ontem o espírito de João Gilberto estava mais longe).
(Sem dúvida o melhor momento da noite, ainda mais quando o Erlend chega)
E talvez eles tenham lido as matérias e decidiram fazer tudo diferente no show do Rio. Pode ser... ou foi como outra amiga falou: a plateia do Rio faz toda uma diferença (não querendo ser bairrista mas já sendo uhuhuhu). Seja como for, banda e plateia carioca saíram satisfeitas =)

April 12, 2011

The National, aqui

Que lindo ♥
Esse esquema de participação ativa (dando grana mesmo) da plateia, aliado a uma banda simpática e dedicada dá nisso: o sentimento de pertencimento dá um gosto completamente outro ao evento. Personalizar e segmentar é isso. A produção pode não achar que vale a pena trazer o show num esquema maior. Mas nós queremos essa banda, queremos aqui no Rio, queremos nesse local. Queremos e fizemos.
Realmente cogitei ir ao Lollapalooza do Chile quando vi o The National, Jane's Addiction, Edward Sharpe, Yeah Yeah Yeahs e outros no line-up. Mas a grana não dava para tal peripécia, seria demais da conta. Mas algo me disse que ao menos o The National poderia vir, e era a cara do Queremos, vamos combinar. Quando confirmaram em São Paulo, a coisa foi se configurando. O Queremos entrou na jogada, eu comprei a cota, pus minha cara e nome lá, liberei a galera pra me chamar de hipster o quanto quisesse (eu não temia isso, principalmente por já ter a posse de um ingresso pro U2, esse meu atestado-de-coxinha infalível). Confirmaram no dia 08, um dia antes do U2, mas beleza, organizei uma manobra, gastei um pouco mais, mas fiquei feliz de poder ter a oportunidade de ver as duas bandas.
Não consigo lembrar como eu comecei a ouvir o The National. Acho que vi reviews por aí, elogios, escutei uma ou outra, baixei o High Violet, o último álbum. Aí veio junho de 2010. Eu estava curtindo uma fossa adoidada, e a voz do Matt Berninger me segurou pela garganta, e disse "I don't wanna get over you", "you're the only thing I want anymore" e "you'll never believe the shitty thoughts I think" por mim. Hoje nada é o mesmo, assim hoje não se repete amanhã. Foi bom ver o The National numa outra vibe, a música continua linda e pensar que seria assim que eu gostaria de soar se eu fizesse música. Dá pra fechar os olhos e mergulhar camada por camada nas canções, que eles executam com a perfeição do álbum mesmo sem recursos mirabolantes no palco. Além disso, o som remete a um lugar já conhecido do meu repertório sem soar cópia ou mera releitura. é calcado nos oitentistas Joy Division, Echo & The Bunnymen, Depeche Mode, e até dá pra sentir um early U2, por que não?, já que estavam no mesmo caldeirão por algum tempo. Não dá pra tirar a banda e colocar no paraíso hipster assim anacronicamente.
E lá eu estava de Carioca Empolgada, sacudindo os cabelos e sorrindo, enquanto Matt mantinha a voz perfeita mesmo com as calibradas de caipirinha, e movia os braços de modo desajeitado, ou dava com um punho do outro. Ele se desequilibrou e caiu, mas não deixou cair a vibe das canções. Voz e letras e presença, esse cara é fascinante. E é fascinante a banda como um todo.
Eu pertenci ao show, e deu um sentido todo outro. Meu nome estava lá, levei um pôster pra casa. Quem sabe eu emoldure. Foi um grande pequeno show.

Escute, escute, escute =)