May 13, 2011

Vivendo...

- "Como ela conseguiu fraturar o pé?"
- "Vivendo."
E o que o véio Talese tem a dizer sobre algo assim?
"Eles querem ir do ponto a para o ponto b, e querem fazer isso rápido, de maneira eficiente sem perder nenhum tempo. Bom, perder tempo é muito bom. O tempo é maravilhoso quando você o perde. Quando você perde tempo você pode pensar que é um desperdício, mas não é. Às vezes você aprende com o silêncio, ou com os momentos de indecisão. Você aprende coisas que você jamais pensou que saberia, e aprende coisas sobre as quais você nunca pensou, e que nunca iria perguntar sobre. São coisas muito valiosas para a mente intelectual, e para a curiosidade intelectual que algumas pessoas têm. A internet joga contra esta curiosidade. Ela proporciona todas as respostas de maneira fácil. Você coloca o nome de alguém no google e descobre muito sobre ela. Se é verdade ou não, você não vai saber a diferença.
Então eu acredito que a tecnologia pode poupar tempo, poupar viagens, mas faz você ficar em casa, entre quatro paredes, perdendo o grande contexto da vida. A tela do laptop está substituindo a grande visão do mundo que você só pode conhecer explorando o mundo, viajando pelo mundo, saindo por aí, indo de um lugar para o outro, estando lá, e isso é importante. Não receber algo de segunda mão, não olhar pelas coisas a partir de terceiros. A internet é um instrumento de terceirização. Você coloca uma pergunta na internet e recebe uma resposta, mas não é a sua resposta. Você não experimentou nada."
Então partiu viver.

May 9, 2011

Rome!

Finalmente saiu, e eu estava esperando taaaaanto... Rome é a parceria entre Danger Mouse, produtor tão querido do meu ♥, parte do Gnarls Barkley e Broken Bells, e o compositor italiano Daniele Luppi, e o resultado são músicas inspiradas nas trilhas de filmes "Spaghetti Western" de Ennio Morricone, lá pelos anos 60 e 70. E para a gravação, além da ajuda de arranjos estonteantes e equipamentos vintage, eles contaram com a colaboração de Jack White e Norah Jones nos vocais de algumas faixas. Eu já sou fã do Jack White, então sou suspeita pra acrescentar qualquer coisa. Mas só o fato de eu ter conseguido ouvir a Norah Jones sem ter sono deve contar alguns pontos positivos pra obra(-prima) final. 
A galerinha de Rome.
O resultado é uma atmosfera de suspense e sedução, e você ouve aqui no player da NPR: 
UPDATE: Quer baixar? Faça-o aqui.

May 8, 2011

Entreouvido para hoje

Duas (irmãs? primas?) no metrô, a caminho da casa da avó, praquele almoço de domingo de Dia das Mães. A mas velha diz:
"Quando eu era mais nova, tive um namorado que tinha uma mãe cheia dessas frescuras. Ela dizia que fazia tudo pelo filho, e que nenhuma mulher seria capaz de fazer por ele o que ela faz.
Um dia eu disse: 'Então porque a senhora não casa com seu filho? Dorme com ele!' Ela ficou puta! 'Como assim você me diz pra eu dormir com meu filho??'' E eu falei: 'Ué, se ninguém será o suficiente pra ele, fica com ele pra você'.
Tem mulher que tem o filho pra si mesma..."
Então mamas, o filho é seu, mas nem tanto. Não pode esquecer que tem que criar o filho pra sobreviver na selva. Fora isso, feliz dia =)

May 3, 2011

Low, low, low

Já que o Flo Rida vai fazer show aqui no Rio de Janeiro, e o U2 esteve no Brasil mês passado, eis um dos meus mashups favoritos (sério!): New Year's Low.

May 2, 2011

Hello, Newman!

Eu não sabia que o AC Newman era ruivo. Eu não sabia que ele era do The New Pornographers, e até confesso que não conheço muito essa banda (promento fazer audições em breve). Eu só sabia que ele tinha uma música na trilha do finado seria The O.C., seriado que eu não conheço, é daqueles que não vi e não gostei. Semana passada, de algum modo que eu não lembro qual, resolvi pegar o cd The Slow Wonder, por que a única música que conhecia dele eu já gostava. Normal, só que o cd é fabuloso. Ele foi lançado em 2004 e está cheio de músicas rock do tipo retas, diretas e precisas. De um tipo que talvez seriam cool e indies em 2004, agora não sei mais. Não tem sintetizadores, não é electropop meets southern hip hop, não é dessa leva pop rock eletrônico pegada dançante. É alternative rock, o que quer que isso seja, e é bom demais.
Clique aqui pra ouvir no Grooveshark, infelizmente ele não me gerou o widget...

April 22, 2011

Heart-Shapped Boom

Black Eyed Peas vs. Marilyn Manson. Vá em frente:

April 21, 2011

U2 aos 2 minutos de acréscimo do 2° tempo

Agora que a poeira baixou, e a Garra já tirou as unhas do chão do Morumbi, não sei se devo ficar aqui defendendo uma banda que, em 30 anos de carreira, sempre levou pedra aqui e acolá mas arrasta 90 mil por cada um dos três dias de show. As pedradas são por serem mainstream demais? Por terem "acabado mas não morrido"? Pelo ativismo, demagogia e suposto "bom-mocismo"? Megalomania? Tudo junto...
Vamos por essas partes:
É estranho. Seria coisa de hoje em dia? Essa pressa em enterrar o que já tem durado tempo demais (quem julga isso?), já que tudo vira last week sem que precise realmente passar uma semana para isso. Temos celebridades de uma temporada, grandes bandas de rock de um disco, um milhão de nichos e seus ídolos. Mas dessa todo mundo gosta, toca no rádio, tem aquelas músicas grudentas que agradam do patrão à empregada, faz show de arena, é popular. E os inteligentes querendo afirmar que a unanimidade é burra, e que é preciso ser crítico: algo que agrade à tantos só pode ser ralo, baixo, pouco elaborado. Não importa se a guitarra do The Edge arrepie a espinha, ou se suas músicas fazem todo mundo -- eu disse TODO MUNDO -- cantar. Não importa, é preciso criticar. E essa é uma pulsão meio zarolha.
Meu Twitter está cheio de ~fãs incondicionais~ do Muse (a banda de abertura do U2), mas no show, quase ninguém no estádio cantava mais de uma música. Alegam que os melhores álbuns do U2 tem 20 anos, e nunca vão fazer outra Pride ou I Will Follow. Claro, assim como os Stones nunca vão fazer outra Satisfaction, nem Paul McCartney vai fazer outra Yesterday. Mas eles continuam aí fazendo música e shows, e não sou eu quem vai ordenar que eles parem ou se moldem do jeito que eu quero. Até porque, adivinhe só, tem gente que pode gostar da nova produção. Assim como tem gente que gosta do Muse (eu não sei como... é chaaaaato, mas tudo bem).
E daí as pessoas pensam que podem comparar bandas novas e experientes como se tudo fosse anacrônico, como se não houvesse carreira ou caminho a ser pavimentado, como se não exercessem influências em ninguém mais. As coisas são muito divididinhas em nichos, o "melhor" surge toda semana, mas eu ouço o som das melhores-bandas-dos-últimos-tempos-da-última-semana e tudo soa direitinho, tudo no lugar certo, mas tem som e efeito tão duradouro quanto o gás de uma Coca-Cola.
E agora a banda, principalmente pelos esforços humanitários, para muitos questionáveis, do Bono Vox, é coxinha. Aquele ídolo #classemediasofre babacão que acha que vai mudar o mundo e faz música para as massas #classemediasofre babaconas que acham que aquilo é rock e atitude, essa banda que não faz nada de bom há 20 anos...
Canibalismo
Eu gosto do U2 como um todo. Do tempo em que o Bono tinha mullet e rebolava querendo ser post-glam. E incluíam questões filosíficas, religiosas e políticas nas canções. E sempre foram canções bonitas, profundas. E pra mim, eles continuam assim. Não é uma Pride ou uma I Will Follow, mas eu gosto. Acho engraçado quando veem o Bono como esse ativista coxinha e chato. Pra mim ele é o cantor da banda U2, primeiramente. O discurso faz parte do show, e eu entendo como e porque faz parte. Bono é da "Escola John Lennon de Ativismo". Entenda: John Lennon, já no final da sua carreira com os Beatles e já com a Yoko, começou a protestar contra a guerra do Vietnã. Não lembro em qual documentário eu vi o próprio falando disso, a um repórter ácido durante um de seus bed-ins pela paz (ele e Yoko ficavam na cama o dia inteiro, a casa aberta a repórteres etc etc)... O repórter perguntou algo na linha de "que porra é essa?". Lennon respondeu algo na linha de "os governos usam da sua influência política e espaço na mídia para legitimar e justificar uma atitude como a de mandar soldados para se meter no Vietnã. Eu tenho um pouco de influência e espaço na mídia. Não sou o governo, mas sou famoso. E eu quero usar o espaço que eu tenho pra protestar contra o governo com as mesmas armas que eles usam". Ingênuo? Babaca? Inútil? Eu sinceramente não consigo por uma categoria nisso. Não sei nem dizer se o rock'n'roll "não é pra isso". O rock é livre pra falar de sexo, drogas, rebeldia e aquilo que nos aflige. Bono quer falar sobre as ruas que não tem nome na África, umas iguais as outras, povoadas de gente que ainda quer ter esperança. Deal with it que é isso aí.
Sobre o show em si, nunca tinha tido uma experiência audiovisual tão completa. A estrutura do palco é fabulosa, e o telão é das coisas mais lindas que eu já vi. Pra quem curte audiovisual é um orgasmo de 2h40. Aqui faço minhas as palavras que a jornalista Renata D'Elia, amizade de show divertidíssima, escreveu em seu blog (recomendo a leitura do texto todo): "Está na hora de assumir que investir na visibilidade do público é também um sinal de respeito e competência para além da aparente megalomania. Mas aí vem gente dizer que a música se foi para dar lugar ao circo. É aí que começa o festival de recalques. Pois trate de anotar que um dos méritos da banda, aos 30 e tantos anos de carreira, é justamente usar a tecnologia para proporcionar ao público uma experiência única, onde a música reina e comanda uma viagem sensorial." 
É embasbacante. Essas fotos são do amg Pedro Newlands, que foi no show de 13/04 (mais fotos aqui, são melhores que as minhas, que já postei).
O telão é assim...
... e em dado momento ele fica ASSIM. /morri.
E aí, a música? Fui no sábado, repertório de hits pra ninguém por defeito. Bono tem um carisma inegável, The Edge solou na minha frente, a poucos metros. Eu ouvi as músicas que amo e sempre amei, executadas perfeitamente ao vivo. Magnificent.